* MESA - Aspiração Microcirúrgica de Espermatozóides do Epidídimo

 

MESA é o acrônimo do termo “Microsurgical Epididymal Sperm Aspiration”. Descrito pela primeira vez por Temple-Smith e colaboradores, em 1985. É um método de extração de espermatozoides indicado para homens inférteis portadores de azoospermia obstrutiva.

 

O princípio da MESA é o mesmo da PESA (Percutaneous Epididymal Sperm Aspiration), ou seja, aspirar fluido epididimário. Entretanto, ao contrário da PESA, onde a abordagem é percutânea, na MESA a abordagem é aberta e emprega-se microcirurgia. Em geral, o procedimento é realizado em caráter ambulatorial com anestesia geral ou loco-regional. Nossa preferência tem sido o bloqueio do cordão espermático com xilocaína associado à anestesia endovenosa com propofol.

 

A bolsa testicular é incisada por planos até a exteriorização do testículo. O epidídimo é examinado e sua túnica aberta. Um túbulo epididimário ectasiado é identificado e dissecado com auxílio do microscópio cirúrgico, empregando-se magnificação entre 16-25 vezes. Em seguida, realiza-se a abertura do túbulo com uma tesoura microcirúrgica. O fluido proveniente desta abertura é aspirado com um tubo de silicone, conectado a um sistema de pressão a vácuo ou, de forma mais simples, a uma seringa de 1,0 mL. O fluido colhido é diluído com meio de cultura, tamponado e aquecido (37o C) e a mistura é enviada ao laboratório para análise sob microscopia óptica. Alguns autores preferem que a análise seja realizada no centro cirúrgico, bastando, para isto, um microscópio óptico comum. Esta análise permite confirmar a existência de espermatozoides móveis e é fundamental para orientar o cirurgião no sentido de manter ou mudar o local da aspiração, a fim de recolher quantidade adequada de material de boa qualidade. Caso não haja quantidade suficiente de espermatozoides com boa motilidade no local incisado, o cirurgião deverá dissecar e incisar túbulos mais proximais, ou seja, em direção à cabeça do epidídimo. Caso a quantidade/qualidade dos espermatozoides não seja satisfatória, o epidídimo contralateral deverá ser abordado da mesma maneira já descrita. Havendo falha da MESA após abordagem de ambos os epidídimos, procede-se a extração de espermatozoides testiculares no mesmo ato cirúrgico. Embora não haja necessidade de fechamento do túbulo epididimário, a hemostasia rigorosa deve ser realizada. A tú- nica vaginal é suturada com fio absorvível, o testículo é recolocado no interior da bolsa testicular e os planos teciduais são fechados.

 

Uma variante desta técnica é conhecida como Mini-MESA. Esta denominação decorre da reduzida incisão na pele escrotal (apenas 1,0 cm) e da manutenção do testículo no interior da bolsa testicular. Apenas o epidídimo é exteriorizado após a abertura da túnica vaginal. O restante do procedimento é idêntico ao descrito para a MESA. 

 

Na MESA, o número de espermatozoides móveis extra- ídos é superior a PESA, os quais poderão ser tanto utilizados “a fresco” para a injeção intracitoplasmática dos espermatozóides (ICSI), quanto criopreservados. A principal vantagem da MESA sobre a PESA é a criopreservação de múltiplos espécimes, permitindo a repetição da ICSI com os espermatozóides congelados-descongelados, sem que haja necessidade de repetir a extração espermática.

 

Em resumo, a MESA é um método microcirúrgico de extração de espermatozoides do epidídimo, recomendado para homens inférteis portadores de azoospermia obstrutiva. O método permite obter um grande número de espermatozoides, que podem ser criopreservados e/ou utilizados imediatamente para a ICSI.

 

 

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA:

1. Temple-Smith PD, Southwick GJ, Yates CA, Trounson AO, de Kretser DM. Human pregnancy by in vitro fertilization (IVF) using sperm aspirated from the epididymis. J In Vitro Fert Embryo Transf. 1985;2:119-22.

2. Esteves SC, Miyaoka R, Orosz JE, Agarwal A. An update on sperm retrieval techniques for azoospermic males. Clinics (Sao Paulo). 2013;68:99-110.

3. Esteves SC, Zylbersztejn DS. Técnicas de obtenção de espermatozóides no homem azoospérmico. In: Nardi AC, Nardozza Jr A, Bezerra CA, Fonseca CEC, Truzzi JC, Rios LAS et al. Urologia Brasil. 1ed., São Paulo: Planmark, 2013, pp. 241-52.

4. Nudell DM, Conaghan J, Pedersen RA, Givens CR, Schriock ED, Turek PJ. The mini-micro-epididymal sperm aspiration for sperm retrieval: a study of urological outcomes. Hum Reprod. 1998; 13:1260-5.

5. Miyaoka R, Esteves SC. Predictive factors for sperm retrieval and sperm injection outcomes in obstructive azoospermia: do etiology, retrieval techniques and gamete source play a role? Clinics (Sao Paulo). 2013;68:111-9.

 

Atualizado em Janeiro 2016, Aprovado por Dr Sandro Esteves, Diretor Clínico

 


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